Quem somos

"Triângulo das Bermudas"
  
QQuando jovem, nos anos 60, eu e meus amigos costumávamos dizer que morávamos no "Triângulo das Bermudas", local na região do caribe que no período pós-guerra tornou-se famoso pelo "sumiço" inexplicável de aviões, navios e outras embarcações. 

O nosso triângulo está situado entre as capitais de três estados da região Sudeste: Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro. Tomando como referência o encontro dos três estados, os pequenos municípios de Tombos (MG), Guaçuí (ES) e Porciúncula (RJ), encontram-se distantes cerca de 400 km das capitais. Este triângulo também é famoso pelo misterioso desaparecimento, não de artefatos bélicos, mas de verbas oficiais destinadas às benfeitorias na região: construção de estradas, pontes, escolas, etc. Quando saiam do papel, não chegavam ao destino ou ficavam no meio do caminho em cidades maiores e mais bem apadrinhadas politicamente.

Apesar desta situação, vivíamos um estado de autossuficiência. Como não é uma região com perfil industrial, exatamente pela distância dos centros consumidores, vivíamos basicamente da produção rural em pequena escala. Boa parte da população morava nas fazendas e viviam do plantio e do cuidado com seus animais. 

Existia a pobreza, porém não existia a fome. Cada casa tinha o seu chiqueiro, galinheiro e a sua horta. Nos finais de semana haviam festas e comemorações. 

A sanfona, a viola e o pandeiro só iam descansar na madrugada, era pura felicidade. É bem verdade que tinham algumas briguinhas de ciúme e às vezes até algum sangramento. Porém na segunda as coisas se acalmavam e a enxada cuspia fogo.

Existia a pobreza, mas havia o "trem", uai. Lembro-me, que alguns comerciantes além do café, mandavam para o Rio de Janeiro, galinhas, ovos, etc. Como diz o meu amigo Ricardi: "O mesmo progresso que trouxe o trem, levou-o de volta". Hoje temos caminhões, carretas imensas, nem consigo contar quantos eixos e não temos estradas apropriadas, temos uma coisa esburacada e indefinida chamada de "as falta". De forma alguma estou querendo comparar o século passado, com o início deste. O progresso que o ser humano conquistou durante este período, tem beneficiado todas as regiões do mundo. O que quero dizer é que a nossa situação continua a mesma. Ainda temos bastante dificuldades para escoar a nossa produção.

Diminuiu a pobreza, houve melhora na saúde e agora temos o mineroduto. Vem passando com o barulho de mil trens, roendo e corroendo nossas encostas, depois tornará silencioso e egoísta. Seu único passageiro será o minério de ferro e ele não dará uma paradinha na estação, para tomar um cafezinho ou um refresco, nem tão pouco trocar um dedo de prosa com os moradores.

Não vai ter o mineroduto das seis, nem o mineroduto noturno. Enfim, traz um progresso transitório, um pouco de trabalho para alguns, desarruma a casa, vai embora e deixa os filhos por criar.

Posso lembrar de alguns momentos em que o sonho de ver esta região mais próspera e rica ficou mais evidenciado, dando a vontade de tentar alguma coisa que ajudasse a melhorar este contexto ou participar de algum movimento que estivesse engajado no mesmo. É natural, coisas como prosperidade, riqueza e poder estão implícitas em nossas vidas. Somos educados para conquistar o sucesso. Tentamos, e na maioria das vezes denota sacrifícios, trazendo consequências desagradáveis. 

Outros estão mais preparados e conseguem bons resultados com menos esforço. 

A experiência nos leva a entender que todos podem conquistar resultados satisfatórios, desde que invistam nisso.

A participação da sociedade civil é fundamental na gestão e fiscalização de projetos e gestões públicas, bem como a iniciativa de trabalhos conjuntos.

Então, mãos à obra. O Portal do Caminho é isso, unir sonhos, ideias e trabalho para que amanhã tenhamos a certeza que fizemos algo para que o mundo tornasse um lugar ainda melhor e mais digno para se viver.

O Sonho
Que esta região rica em belezas naturais e uma gente naturalmente receptiva, reforce o turismo interno e internacional e se torne uma referência para a prática de turismo rural, caminhadas, ciclismo e prática de esportes radicais. Gerando com isso, renda e condições para a diminuição do êxodo. Investimento na produção de orgânicos, melhora na qualidade de seus produtos industriais e artesanais. Conscientização e controle no uso de agrotóxicos.

A Ideia
Aproveitando a experiência e conquistas dos Caminhos do Brasil, criar rotas na zona rural com estrutura básica para receber os visitantes aproveitando a existência de comunidades e associações e criando novas onde elas ainda não existam. Implantar o programa cama e café, mapear e sinalizar estes locais.

O Trabalho
Através deste Portal, unir sonho e ideia formando o trabalho.

Este portal será a referência do que tiver acontecendo nesta região. O divulgador da ideia e crítico dos resultados. A "Loja do Caminho" irá expor produtos e produtores, criando assim, oportunidade de negócios para todos, inclusive daqueles que não dispõe de estrutura para isso.

Aqueles que quiserem, mandem seus sonhos, ideias e podem também contribuir com trabalho, críticas e sugestões: paulobasstos@gmail.com

Paulo Basstos


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