O começo

Corre e procura o caminho, esta espera é morte e finda onde começa o amor.
 
 
Tudo começou em um passeio de bicicleta por estas belas trilhas que fazem o Caminho. Estávamos eu e o Paulo Félix preparando-nos para o Bike Trilhas de Espera Feliz.
 
Natureza privilegiada contrastando com o abandono e pobreza de algumas propriedades que poderiam, por direito, ser tombadas como patrimônio. Aquele misto de beleza e pobreza foi o tema durante o passeio.
 
Comecei lembrando-me de como era diferente em minha infância, boa parte dela passada na zona rural. Nossa região nunca foi considerada rica. Naquele tempo, porém, mesmo com dificuldades, a vida era generosa. Posso afirmar que não havia este abandono. Toda propriedade era um núcleo de produção. Plantava-se e colhia-se de tudo, os engenhos produziam e os bailes eram de pura animação. Mesmo as casas mais humildes tinham horta, pomar, chiqueiro e galinheiro e depois de um dia de trabalho, as prosas e histórias faziam a imaginação dos ouvintes viajarem misteriosamente pelo desconhecido.
 
Realmente, em um passeio desses, naqueles tempos, não encontraríamos as chaminés apagadas e os campos abandonados.
 
Sim, os tempos mudaram, mas muita coisa poderia ter sido preservada. Começamos, a partir daí, sonhadoramente, a criar soluções para resolver o problema. O que poderia ser feito para que uma região tão rica em belezas naturais pudesse resgatar o progresso e a dignidade? Uma usina de álcool, uma fábrica, isso ou aquilo... Mas, para cada projeto, havia um senão: este não é viável, este polui, aquele não vai atender a todos. Enfim, a situação parecia mesmo estar perdida.
 
Dias depois, estava fazendo o Bike Trilhas, gratificado e agradecido a Deus por estar vivo e participando daquele evento, num cenário de belezas naturais. Sempre gostei do contato com a natureza e estar ali, vivendo aqueles momentos, depois de alguns problemas de saúde, me fizeram refletir sobre a conversa que havia tido com o Paulo Felix. No último dia, encontrei-me com um amigo e falei da minha intenção de participar de uma caminhada de longo percurso.
 
Neste momento, consigo vivenciar a sucessão de realizações que tive a partir daquela caminhada e posso constatar que o caminho é mágico, o Criador é generoso e quem escuta o caminho, transborda em amor e compreensão. Posso afirmar que o caminho é a solução que buscava para a região, até então sem muita esperança.
 
Ver sonhos, um a um, tornarem-se realidade, me enchem dessa gostosa sensação de que a vida vale a pena. O Site, a Exposição de Pinturas, o Corredor Cultural, o Ecoluz, o livro (Um Caminho dentro do Caminho) e agora este projeto, o "Portal do Caminho", comprovam a riqueza que está escondida em nós. 
 
Participar desse projeto fez brotar em mim a criatividade e a certeza de que alguma coisa está sendo feita. Cada história, personagem, ilustração, página montada, foto aplicada, me deram a consciência de ser instrumento da vontade de Deus. Que as coisas se realizam, segundo a Sua vontade, e que eu posso e devo participar delas.
 
Os contadores e personagens vivos dessa história agora têm a certeza de que estarão imortalizados. Mais que isso, estarão resgatando tesouros que, pelo menos para mim, estavam perdidos.
 
O caminho é poderoso e infinito e todo aquele que é tocado, seja como peregrino ou parte dele, se torna útil e definitivo.
 
É uma grata satisfação ver que, mesmo de forma tímida, outros personagens vão, aos poucos, chegando para ouvir estas histórias e entendendo que mais importante ainda é fazer parte delas.

Paulo Basstos
Desenhista, artista plástico e apaixonado pelo caminho


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