História do Caminho do Espírito Santo

  
À primeira vista, o nome "Caminho do Espírito Santo" surgiu por tratar-se de uma rota que passa por vários municípios deste estado. Em um segundo momento, percebemos que a maioria destes municípios/distritos, tinham nomes de santos. Bom Jesus do Norte, Bom Jesus do Itabapoana, São José do Calçado, São Romão, São Pedro de Rates, Santa Clara e o Sítio das Aparições de Nossa Senhora de Natividade e isto veio reforçar ainda mais o nome escolhido; coisas do caminho. Simples coincidência? Eu afirmo que não. Depois de algumas décadas vividas e dificuldades superadas, a palavra "coincidência" foi trocada no meu vocabulário por "providência". Também, em muitas situações, aprendemos que a "intuição" reforçada na vivência, funciona mais do que determinadas técnicas de escritório - não pretendendo aqui, banalizar o conhecimento.

Vale lembrar, que a nossa colonização foi realizada em grande parte por pessoas ou entidades cristãs e isto nos contaria um pouco dessa história do caminho. Porém, as outras duas rotas que estão sendo estudadas, não têm este perfil. O Caminho da Pedra Preta passa por: Cambuci, São Fidélis, Pureza, Ipuca, Cardoso Moreira, Italva, São José de Ubá, Itaperuna, Raposo, Antônio Prado de Minas e Porciúncula. O Caminho de Minas passa por: Itaocara, Aperibé, Santo Antônio de Pádua, Miracema, Palma, Barão de Monte Alto, Lage do Muriaé, Patrocínio do Muriaé, Eugenópolis, Pinhotiba, Pangarito, Dona Emília e Porciúncula. Naturalmente, também, todos eles abençoados por Deus e bonitos por natureza.

Esses acontecimentos nos mostram que estamos aqui apenas para falar um pouco mais da história desses caminhos. Quem continuará a contá-la, será aquele que deixará um pouco de si ao realizar sua peregrinação por essas montanhas sagradas e vales encantados.

Revelações

O Filho

Havia algum tempo que o sol começara a derramar os seus raios de vida. Os pássaros continuavam a anunciar o novo dia. Ouvia-se, vindo ao longe, o mugido das vacas e o coral de outros animais. Era uma linda manhã de julho, estava frio, mas não incomodava. Eu já havia caminhado por uma légua e pensava em livrar-me do agasalho. Ainda não o havia feito por não ter resolvido o que fazer com ele. Intuitivamente, resolvi amarrá-lo na cintura como se fosse uma tanga.
 
Uma leve neblina começava a dissipar-se aumentando ainda mais a sensação mística de estar fazendo parte de um novo mundo.
 
Senti um leve arrepio percorrer por toda a espinha e estendendo pelos braços e pelas mãos, fazendo com que as apertasse ainda mais em torno do cajado para que aquela energia chegasse ao solo fazendo a ligação que precisava.
 
Mesmo com quase 200 companheiros na caminhada coletiva, percebi que, providencialmente, estava só. Fabrícia tinha avançado com alguns amigos e eu ficara ali envolvido em lembranças de um tempo que queria e precisava resgatar. Estava no Caminho da Luz, Serra da Ernestina, trecho da antiga Estrada de Ferro Leopoldina cavado em uma extensão de vários quilômetros naquele bloco de granito. Do lado esquerdo a rocha negra e ao lado direito um visual magnífico. Era o quinto dia da caminhada, a sensação não era totalmente estranha - havia sentido algo parecido no Vale do Silêncio, no segundo dia. A vista panorâmica das cadeias de montanhas desde o tempo de criança causava-me sensações quase indescritíveis. Um misto de euforia e liberdade no meio de tons claros cinza azulados e verdes, como se fosse um mar de ondas gigantescas num movimento quase imperceptível e suficiente para prender a minha respiração, fazendo com que começasse a manifestar uma vontade de ver além do horizonte.  Um coral de vozes profundas e nostálgicas fervilhando em minha mente fazendo acordar lembranças não vividas.

O Pai

Catedral de Vitória - A movimentação era intensa, milhares de peregrinos preparavam-se para percorrer novamente os Passos de Anchieta. Eu estava ali. Não estava ansioso, curioso sim, por observar as diferenças vividas no Caminho da Luz. Um outro caminho, uma nova caminhada e a velha sensação de já ter vivenciado aquele momento.

Ao passar pelo cais tentei visualizar galeões antigos. O cheiro do mar trouxe as lembranças não vividas. Tentei enxergar além mar a mãe África e o velho continente. O caminho para as Índias e para o novo...

Depois de 4 dias de passos e passadas...

Percebi o que faltava...

O Espírito Santo

A ligação entre Anchieta e Tombos, entre a Catedral de Vitória e o Pico da Bandeira - a Montanha Sagrada. Caminho, que ainda adolescente, enxergara na minha primeira excursão à Serra do do Caparaó. Três Caminhos formando Um. O Pai, O Filho e O Espírito Santo. O elo estava ali.

Agora, estava ansioso, inquieto. A primeira vista parecia um absurdo e a segunda também. Um emaranhado de sensações, vibrações e pensamentos a princípio desconexos me levaram a ponderar. A bandeja de prata estava ali, por sobre ela o envelope lacrado convidando-me para uma missão, na conjuntura, quase impossível.

O Senhor fez em mim maravilhas. Este é o Caminho, a Verdade e a Luz. A Santíssima Trindade no encontro dos três estados. Agora sabia que deveria ir em frente, um passo de cada vez.

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O Caminho do Espírito Santo começa em Anchieta-ES e termina na Cachoeira de Tombos-MG.

Devido a extensão, cerca de 400 km, para facilitar a implantação, foi dividido em dois trechos:

Trecho 1 - em estudo.
de Anchieta-ES a Bom Jesus do Norte-ES. Passando por:
  • Iconha > 
  • Rio Novo do Sul >
  • Atílio Viváqua > 
  • Marapé > 
  • Muquí > 
  • Mimoso do Sul > 
  • São Pedro do Itabapoana e 
  • Apiacá.

Trecho 2 em desenvolvimento (onde são realizadas as coletivas).
de Bom Jesus do Itabapoana-RJ a Tombos-MG. Passando por:
  • Bom Jesus do Norte-ES
  • São José do Calçado-ES
  • Alcantilado-ES
  • Gauçuí-ES
  • São Romão-ES
  • São Pedro de Rates-ES
  • Santa Clara-RJ
  • Jacutinga-RJ
  • Córrego do Ouro-RJ
  • Moreiras-RJ
  • Purilândia-RJ
  • Varre-Sai-RJ
  • Querendo-RJ
  • Ourânia-RJ
  • Santuário N.S.Natividade-RJ
  • Natividade-RJ
  • Cruzeiro-RJ
  • Vale do Cristal-RJ
  • Porciúncula-RJ
  • São Pedro-MG
  • Cachoeira de Tombos-MG
  • Tombos-MG


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